Análise comparativa do comportamento celular in vitro em contacto com materiais utilizados em reabilitação sobre implantes
Póster de Investigação pré-clínica em Biologia oral autoria de Diana Bernardo de Macedo, Neusa Marina da Veiga Silva, Helena Francisco, António Duarte Mata, Joana Faria Marques e
Introdução: A biocompatibilidade dos materiais de reabilitação implantossuportada é essencial para o sucesso do tratamento. Melhorar a adesão das células epiteliais pode fortalecer o cuff peri-implantar, prevenindo invasão bacteriana, doenças peri-implantares e perda do implante. Além disso, uma boa relação espacial dos tecidos moles peri-implantares contribui para melhores resultados estéticos. Materiais como PMMA, PEEK, zircónia e resina acrílica autopolimerizável são amplamente utilizados na prática clínica. A viabilidade celular dos fibroblastos gengivais humanos (HGF) é indicador crucial de biocompatibilidade, sendo importante na manutenção da saúde gengival e integração dos materiais. Estudos têm demonstrado variações na resposta biológica, mas novos materiais como PEEK e PMMA requerem investigação dos potenciais efeitos nos tecidos moles peri-implantares.
Objetivo: Avaliar resposta de fibroblastos gengivais humanos em contacto com superfícies de materiais utilizados em reabilitação implantossuportada.
Materiais e métodos: Foram produzidos cinco discos de 10mm de diâmetro, de PMMA, PEEK e zircónia fresados e resina acrílica produzida pela técnica convencional. Após descontaminação dos 20 discos por banho ultrasónico com etanol 70% e radiação UV, foi utilizada uma linha de fibroblastos gengivais humanos (HGF-1, CRL-2014, ATCC) que foram cultivados em placas de cultura de 48 poços contendo os discos durante 7 dias por métodos previamente descritos. A viabilidade celular foi avaliada aos 1, 3 e 7 dias usando um método comercial à base de resazurina avaliada por fluorescência. Os resultados foram avaliados em três intervalos de tempo (24 horas, 3 dias e 1 semana) e foram expressos em unidades arbitrárias de fluorescência (AU). A adesão e morfologia celulares e a morfologia da superfície base dos materiais foram avaliadas por intermédio de microscopia electrónica de varrimento (MEV). Os resultados foram apresentados como média±intervalo de confiança (CI), sendo comparados por ANOVA ou Kruskal-Wallis (post-hoc de Tukey), conforme apropriado, utilizando software estatístico SPSS (versão 28.0 para MacOS. A significância foi definida para p<0,05.
Resultados: A viabilidade dos fibroblastos gengivais humanos (HGF-1) aumentou em todos os grupos, exceto na resina acrílica autopolimerizável. A zircónia apresentou maior viabilidade celular em todos os tempos de medida, sendo estatisticamente significativos (p 0,05). O PEEK apresentou redução significativa da viabilidade relativamente à zircónia, aos 3 e aos 7 dias (p<0.05). O grupo de resina autopolimerizável apresentou os resultados mais desfavoráveis de todos os materiais testados com a viabilidade celular média apresentou uma redução estatisticamente significativa em comparação com a zircónia e PMMA, aos 7 dias (p<0.05). As imagens de MEV confirmaram a adesão celular em conformidade com os resultados de viabilidade.
Conclusões: Dos materiais testados, a zircónia apresentou a maior compatibilidade com os fibroblastos gengivais humanos, demonstrando a viabilidade celular mais elevada em todos os períodos testados. O PEEK e resina acrílica autopolimerizável mostraram uma viabilidade celular reduzida, enquanto PMMA apresentou uma compatibilidade intermédia. Estudos adicionais a longo prazo são necessários para avaliar de forma mais completa os parâmetros biológicos relevantes no desempenho clínico destes materiais.
Póster, nº 23, 15h10, Hall dos Posters.