Mixoma do lábio inferior - relato de um caso clínico

Póster de Casos clínicos em Patologia oral autoria de Carolina Venda Nova, Cesare La Mensa, Giovanni Pilato, Paulo Macedo, Jorge Pereira e Otília Pereira Lopes

Autores
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Carolina Venda Nova Faculdade de Ciências da Saúde Universidade Fernando Pessoa
Cesare La Mensa Faculdade de Ciências da Saúde Universidade Fernando Pessoa
Giovanni Pilato Faculdade de Ciências da Saúde Universidade Fernando Pessoa
Paulo Macedo Faculdade de Ciências da Saúde Universidade Fernando Pessoa
Jorge Pereira Faculdade de Ciências da Saúde Universidade Fernando Pessoa
Otília Pereira Lopes Faculdade de Ciências da Saúde Universidade Fernando Pessoa
Candidato a prémio

INTRODUÇÃO: Os mixomas são tumores benignos cuja origem está no tecido mesenquimatoso. São tumores raros, mas que se encontram frequentemente no miocárdio. No que diz respeito à cavidade oral, os mixomas podem apresentar-se nos tecidos moles, incluindo nos músculos, e no osso. Apesar de benignos, os mixomas têm uma elevada taxa de recidiva. Dada a escassez de relatos na literatura de mixomas de tecidos moles da cavidade oral, o objetivo deste trabalho é contribuir para o aumento do conhecimento na área e alertar os médicos dentistas para este diagnóstico diferencial na patologia do lábio.

DESCRIÇÃO DO CASO CLÍNICO: Paciente masculino de 60 anos, com hipertensão arterial controlada, ex-fumador desde há 15 anos, apresentou-se nas clinicas pedagógicas de uma faculdade de Medicina Dentária com queixa de um nódulo indolor no lábio inferior ao centro com duração de dois anos, que interferia com a alimentação. O paciente negou qualquer tipo de trauma no lábio inferior. O exame clínico extraoral não revelou adenopatias submandibulares, sublinguais nem cervicais. No exame clínico intraoral, detetou-se no labio inferior uma tumefação de consistência mole de aproximadamente 10mm, cuja mucosa de recobrimento se apresentava sem descontinuidade do epitélio. Não havia eritema nem ulceração associadas. O diagnóstico diferencial inclui um mucocelo e um lipoma. Foi realizada uma biopsia excisional (Janeiro 2024) e a peca cirúrgica revelou-se nodular e amarelada, consistente clinicamente com tecido adiposo. Para confirmação do diagnostico, foi pedido o exame histopatológico cujo resultado foi consistente com um mixoma, nomeadamente, a presença areas mixomatosas com escassa celularidade e presença de adipócitos. As características histológicas elucidam sobre a consistência da própria lesão e explicam o porquê da lesão macroscopicamente mimetizar os diagnósticos diferenciais inicialmente estabelecidos. O paciente foi reavaliado duas semanas após o procedimento e não apresentava quaisquer queixas, nomeadamente, dor, edema, dormência ou perda de sensibilidade no local da excisão. Apresentava, no entanto, uma cicatriz com fibrose submucosa. O paciente foi aconselhado a massajar a zona da cicatriz 2-3 vezes/semana. Uma vez confirmado o diagnóstico, e devido a elevada taxa de recidiva dos mixomas, o paciente foi avaliado quatro meses após a excisão (Maio 2024). O paciente continuava sem quaisquer queixas, sem recidiva da lesão e a fibrose submucosa estava resolvida. Imagens fotográficas foram captadas na primeira e na ultima consultas. Na perspetiva do paciente, o tratamento foi bem sucedido, uma vez que consegue alimentar-se mais confortavelmente, estando também ele satisfeito com o resultado de lesão benigna e ausência de sequelas.

CONCLUSÕES: A descrição deste caso clínico contribui para a literatura atual, uma vez que os relatos de mixomas da cavidade oral são ainda raros mas devem ser considerados no diagnostico diferencial em casos de tumefações de tecidos moles da cavidade oral. Caso se suspeite de um mixoma, a lesão deve ser excisionada na sua totalidade, com margens mínimas de segurança, uma vez que tem uma elevada taxa de recidiva.

 

Póster, nº 19, 14h30, Hall dos Posters.

Congresso da OMD 2024
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