Sialolitiase em Odontopediatria: Caso Clinico.
Póster de Casos clínicos em Odontopediatria autoria de Sara R. Pereira, Andreia Infante, Sara Magalhães, Inês Cardoso Martins, Ana Coelho e Paula Faria Marques
INTRODUÇÃO: A sialolitíase é caracterizada pela presença de cálculos nos ductos das glândulas salivares. Esta condição ocorre em cerca de 1% da população total e afeta predominantemente adultos entre os 30 e os 60 anos. Os casos pediátricos são raros, representando apenas 3% da totalidade de casos de sialolitiase . A maioria destes cálculos ocorre na glândula submandibular, devido às suas características anatómicas e fisiológicas, levando à obstrução do ducto de Wharton. A sialolitíase é diagnosticada através de exames radiográficos e clínicos, incluindo inspeção visual e palpação da glândula/ducto afetados. As radiografias oclusais e panorâmicas podem ser uma mais-valia, mas podem falhar, dependendo da posição do cálculo ou se o mesmo não estiver suficientemente calcificado. Sialografia, ultrassom, tomografia computorizada, ressonância magnética e sialoendoscopia são também técnicas utilizadas para o diagnóstico.
DESCRIÇÃO DO CASO CLÍNICO: Um paciente de 10 anos de idade, do género masculino, sem dados relevantes na história clínica, apresentou-se na consulta de Odontopediatria com queixas não dolorosas no pavimento da cavidade oral. Durante o exame intraoral foi visível um aumento de volume e obstrução da glândula sublingual pela presença de uma massa de consistência dura e bordos regulares, compatível com sialólito, pelo que não foram realizados outros exames complementares de diagnóstico. A primeira opção de tratamento foi conservadora, tendo sido recomendado manter uma boa hidratação e consumir alimentos que levassem a uma maior produção de saliva, como frutas cítricas, queijo, melancia ou pepino. O objetivo desta abordagem foi promover a expulsão espontânea do cálculo, que acabou por ocorrer ao fim de 3 dias.
CONCLUSÕES: A sialolitíase manifesta-se com sinais e sintomas típicos de edema da glândula salivar envolvida, tanto durante as refeições como sem um motivo aparentemente claro, acompanhado de dor ocasional devido à obstrução do fluxo salivar e distensão do ducto. Quando numa localização terminal do ducto, o exame clínico intraoral pode ser suficiente para obter um diagnóstico provisório, no entanto, exames imagiológicos poderão ser um complemento valioso. Uma abordagem conservadora deverá ser o ponto de partida nos casos mais simples, e embora a sialolitíase seja rara na população pediátrica, os Médicos Dentistas devem estar conscientes desta possibilidade de ser capazes de avaliar, reconhecer e planear o tratamento destes casos.
Póster, nº 11, 11h40, Hall dos Posters.