Quisto Periodontal Lateral - caso clínico
Comunicação oral de Casos clínicos em Patologia oral autoria de Teresa Carvalho e Branco, Rita Cacodcar, Filipe Freitas, André Moreira, Helena Francisco e João Caramês
INTRODUÇÃO: O quisto periodontal lateral é um quisto odontogénico de desenvolvimento, de etiologia controversa, que surge maioritariamente na zona lateral da raiz de um dente vital e que representa cerca de 0,8% a 2% dos casos de quistos dos maxilares. Tem maior prevalência na quinta e sexta décadas de vida. Aproximadamente 80% são detetados na mandíbula, principalmente na região dos incisivos laterais, caninos e pré-molares, seguida pela região anterior maxilar.
DESCRIÇÃO DO CASO CLÍNICO: Doente do sexo masculino, leucodérmico, 44 anos, recorre a consulta de medicina oral da FMDUL por queixas de desconforto e tumefação na região do primeiro pré-molar inferior esquerdo, com cerca de 6 meses de evolução. Nega antecedentes médicos pessoais ou familiares relevantes, alergias, hábitos tabágicos ou alcoólicos, bem como a toma habitual de qualquer medicação. No exame objetivo foi identificada uma lesão nodular, circular, localizada por vestibular entre os dentes 34 e 35, medindo aproximadamente 7 mm de diâmetro, recoberta por mucosa saudável. As respostas dos testes de sensibilidade pulpar ao frio e de percussão nestes dentes estavam dentro da normalidade. Radigraficamente, observava-se uma área radiolúcida, unilocular, bem delimitada, com bordos escleróticos, de aproximadamente 6 mm de diâmetro, entre as raízes dos dentes 34 e 35. Procedeu-se, sob anestesia local, à enucleação da lesão, seguida de curetagem conservadora. O resultado do exame histopatológico descreveu uma lesão quística de parede fibrosa, sem infiltrado inflamatório significativo, com revestimento epitelial fino de epitélio escamoso cúbico estratificado, não queratinizado. As características clínicas, radiográficas e histopatológicas suportam o diagnóstico de quisto periodontal lateral (QPL). Foi realizada uma consulta de controlo após 4 meses da cirurgia. Clinicamente, observou-se ausência de recidiva e de sintomatologia e, radiograficamente, um aumento da densidade óssea na zona da lesão. O doente permanece em controlo clínico e radiográfico periódico.
CONCLUSÕES: Há controvérsia em relação à etiopatogenia destas lesões. Acredita-se que tenham origem em remanescentes epiteliais odontogénicos. O QPL é frequentemente um achado radiográfico, devido à ausência de sintomatologia e caracteriza-se por apresentar uma área circular ou em forma de gota radiolúcida bem circunscrita, com bordos escleróticos, lateral à raiz de um dente vital. Radiograficamente, o QPL pode assemelhar-se a um quisto inflamatório com localização lateral, de origem endodôntica ou periodontal ou a um queratoquisto odontogénico. O diagnóstico inicial é geralmente realizado após o exame clínico e radiográfico mas o diagnóstico definitivo é histológico. Apesar do comportamento benigno, com diagnóstico tardio, podem atingir tamanhos consideráveis. O tratamento mais recomendado na literatura é a enucleação da lesão, seguida de curetagem que foi, portanto, a abordagem eleita no presente caso. A maioria dos estudos clínicos têm períodos de seguimento curtos, o que pode levar a uma subestimação da sua taxa de recidiva. Por conseguinte, recomenda-se o controlo radiográfico periódico do local da lesão. Um correto e precoce diagnóstico clínico-histopatológico pode evitar um tratamento inadequado, diminuindo o risco de recidiva, evolução da lesão e consequente perda de tecido ósseo. Declaro que possuo autorização do paciente para a publicação dos dados numa revista open access.
Comunicação oral, nº 4, 10h00, Sala 1.