Pioestomatite Vegetante: Um Desafio Diagnóstico – Caso Clínico

Comunicação oral de Casos clínicos em Patologia oral autoria de Mariana Costa Branco, Sofia Vieira, Orlando Martins, Francisco Marques, e

Autores
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Mariana Costa Branco Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra
Sofia Vieira Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra
Orlando Martins Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra
Francisco Marques Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra
Candidato a prémio

INTRODUÇÃO: A pioestomatite vegetante (PV) é uma condição mucocutânea rara, de etiologia desconhecida. As lesões cutâneas podem comprometer a região genital, axilar e couro cabeludo. A nível oral, as lesões caracterizam-se por múltiplas pústulas brancas ou amareladas que podem evoluir para ulceração ou erosões superficiais. Frequentemente associa-se a eosinofilia periférica. Histologicamente observa-se hiperplasia celular, acantose superficial e ulceração superficial com microabcessos infraepiteliais e/ou subepiteliais, contendo um grande número de eosinófilos e neutrófilos. A pioestomatite vegetante é um marcador altamente específico para a doença inflamatória intestinal, pelo que o seu correto reconhecimento pode permitir o diagnóstico de colite ulcerosa ou doença de Crohn, após um exame gastrointestinal completo e adequado. O objetivo deste trabalho é apresentar um caso clínico de possível PV e respetiva abordagem.

DESCRIÇÃO DO CASO CLÍNICO: Doente do sexo masculino, 64 anos, sem alergias, hábitos alcoólicos ou tabágicos, hábitos de higiene oral deficitários, referenciado para a consulta de Medicina Oral. Referenciado devido a várias lesões vesículo-bolhosas amareladas de pequenas dimensões, na mucosa jugal e lábios, com 3 meses de evolução, associadas a dor generalizada na cavidade oral. Refere queixas no trato genital sem patologia esclarecida, estando medicado com Solifenacina e Cloridrato de Tansulosina. As análises clínicas (29/03/23) demonstram leucopenia. Em junho de 2023 tinha sido medicado com diversos antifúngicos, sem melhorias. A 02/10/23 foi realizada biópsia incisional, cujo resultado foi parcialmente compatível com PV. Foram prescritos corticosteróides tópicos e sistémicos, havendo melhorias após uma semana. Desde então, diminuiu-se a posologia, de forma a encontrar uma dose terapêutica mínima compatível com o controlo das lesões. No entanto, após se iniciar a redução da dosagem verificou-se novamente o aparecimento de lesões, motivando a realização de biópsia incisional para imunofluorescência direta (15/04/24) e a necessidade de aumentar a dosagem terapêutica. A biópsia relatou mucosa jugal com discreta paraqueratose e escasso infiltrado inflamatório da lâmina própria, com imunofluorescência negativa para IgG, IgM e IgA. Atualmente, tem-se procedido à redução progressiva da posologia, com o respetivo controlo das lesões. O caso conta com um follow-up de 7 meses.

CONCLUSÕES: Apesar de ambas as biópsias não serem totalmente características, a estratégia terapêutica adotada demonstrou eficácia, desde que se verifique a diminuição gradual da posologia instituída. O tratamento inicial das lesões orais de PV envolve, numa primeira fase, corticosteróides tópicos e sistémicos. Porém, a recorrência pode ocorrer durante a redução ou suspensão da medicação, exigindo a consideração de opções terapêuticas de segunda linha: dapsona, azatioprina, ciclosporina, metotrexato e infliximab. Neste caso, o objetivo foi encontrar uma dose de corticosteróides mínima eficaz a longo prazo. Devido à associação desta condição com distúrbios gastrointestinais inflamatórios, é importante encaminhar os doentes para uma avaliação gastrointestinal completa. Foi obtido o consentimento informado do paciente e declaro que possuo autorização do paciente para a publicação dos dados numa revista open access.

 

Comunicação oral, nº 3, 9h40, Sala 1.

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