Distrofia Miotónica de Steinert - Caso Clínico

Póster de Casos clínicos em Odontopediatria autoria de Marta Martins Coelho, Filipa Barata da Fonseca, Sara Magalhães, Inês Cardoso Martins, Ana Coelho e Paula Faria Marques

Autores
Author photo
Marta Martins Coelho Faculdade de Medicina Dentária da Universidade de Lisboa
Filipa Barata da Fonseca Faculdade de Medicina Dentária da Universidade de Lisboa
Sara Magalhães Faculdade de Medicina Dentária da Universidade de Lisboa
Inês Cardoso Martins Faculdade de Medicina Dentária da Universidade de Lisboa
Ana Coelho Faculdade de Medicina Dentária da Universidade de Lisboa
Paula Faria Marques Faculdade de Medicina Dentária da Universidade de Lisboa
Candidato a prémio

INTRODUÇÃO: A síndrome de Steinert (distrofia miotónica de Steinert ou distrofia miotónica congénita tipo 1) é uma doença hereditária autossómica dominante rara, geralmente transmitida pela mãe, sendo causada por uma mutação do gene DMPK (proteína quinase da distrofia miotónica) e localizada no cromossoma 19. A distrofia miotónica congénita tipo 1 é a forma mais grave.

DESCRIÇÃO DO CASO CLÍNICO: Paciente do sexo feminino, 9 anos de idade, diagnosticada com distrofia miotónica tipo I, filha única de pais não consanguíneos, tendo estado internada no período neonatal. É acompanhada em diversas especialidades médicas. Foi observada em consulta de odontopediatria para avaliação do estado de saúde e desenvolvimento orofacial. O exame clínico e radiográfico revelou a presença de placa bacteriana e gengivite generalizadas, lesões de cárie dentária, hipodesenvolvimento do maxilar superior, limitação marcada da abertura da boca, respiração predominantemente oral, pé boto e hipotonia muscular generalizada. Atendendo às condicionantes observadas e o enquadramento da paciente na classificação ASA III, procedeu-se à realização dos tratamentos em meio hospitalar, com recurso a anestesia geral. Como intercorrências intraoperatórias, destacaram-se a dificuldade na intubação, com necessidade de recurso a laringoscópio com sistema de vídeo, e a marcada limitação no acesso aos dentes posteriores. Não foram registadas quaisquer intercorrências no período pós-operatório.

CONCLUSÕES: As manifestações clínicas desta síndrome miotónica resultam de um envolvimento multissistémico. A hipotonia facial é uma caraterística precoce e consistente. A face torna-se progressivamente mais estreita, com perda de massa muscular e inexpressiva, semelhante a uma máscara. A fala é nasalada, lenta, indistinta e com início tardio, devido ao atraso psicomotor, hipotonia dos músculos, miotonia lingual e/ou incompetência velofaríngea. As alterações morfológicas do disco articular e a fraqueza da musculatura mastigatória, levam a uma disfunção temporomandibular com limitação da abertura da boca e dor, sendo a luxação da mandíbula bastante comum e recorrente. Encontra-se relatada uma elevada taxa de cárie dentária, principalmente devido a uma higiene oral deficiente. A distrofia miotónica congénita é um desafio para o anestesiologista, devido a possíveis complicações intra e pós-operatórias, bem como para o médico dentista, devido à limitada abertura da boca que pode condicionar as opções terapêuticas. Segundo a escala de Mallampati que avalia o acesso à orofarínge, e prevê a facilidade de intubação, a paciente enquadrava-se na classe IV considerada como a de maior dificuldade na intubação, sendo apenas visível o palato duro, e compatível com a dificuldade encontrada durante o procedimento. Na avaliação pré-anestésica destes pacientes é muito importante um exame físico e uma história clínica completos e rigorosos, com pesquisa de dificuldades alimentares, engasgamentos, antecedentes de pneumonias ou suporte ventilatório. A distrofia miotónica de Steinert é uma patologia multissistémica, apresentando frequentemente repercussões a nível orofacial. É desejável que o médico dentista tenha conhecimento desta síndrome, assegurando uma abordagem multidisciplinar e articulando o plano de tratamento com as outras áreas de especialidade médica. É importante um acompanhamento regular, uma higiene oral e uma dieta o mais adequadas possível.

 

Póster, nº 8, 10h10, Hall dos Posters.

Congresso da OMD 2024
Visão Geral da Privacidade

Este website utiliza cookies para que possamos proporcionar-lhe a melhor experiência de utilização possível. A informação dos cookies é armazenada no seu navegador e desempenha funções como reconhecê-lo quando regressa ao nosso website e ajudar a nossa equipa a compreender quais as secções do website que considera mais interessantes e úteis.