Abordagem da cárie precoce de infância sob anestesia geral – Caso Clínico
Póster de Casos clínicos em Odontopediatria autoria de Filipa Barata da Fonseca, Marta Martins Coelho, Sara Magalhães, Ana Coelho, Inês Cardoso Martins e Paula Faria Marques
INTRODUÇÃO: A Cárie Precoce de Infância (CPI) é definida como a presença de um ou mais dentes decíduos afetados por lesões de cárie, ausentes ou com superfícies dentárias restauradas numa criança com menos de seis anos. A sua etiologia resulta da interação de vários fatores e a complexidade dos tratamentos determina, muitas vezes, a necessidade de recorrer a técnicas avançadas de controlo de comportamento, como a Anestesia Geral. Com a progressão da doença e, na ausência de tratamento, pode ocorrer extensa destruição dentária frequentemente associada a dor, dificuldades na mastigação, problemas fonéticos e estéticos que podem interferir com o normal desenvolvimento físico, mental e psicossocial da criança e comprometer a sua qualidade de vida.
DESCRIÇÃO DO CASO CLÍNICO: Paciente bengáli, de 6 anos de idade, do sexo feminino, saudável e sem antecedentes relevantes. Foi encaminhada para a consulta de odontopediatria para tratamento. No exame clínico e radiográfico observou-se a presença de múltiplas e extensas lesões de cárie. Determinado pela reduzida colaboração, gravidade das lesões de cárie e número de dentes envolvidos optou-se por realizar os tratamentos dentários sob Anestesia Geral. Procedeu-se à pulpotomia e cimentação de coroa metálica pré-formada dos dentes 54 e 55; pulpotomia e restauração com coroas de acetato nos dentes 52, 62, 63; restaurações a compósito dos dentes 53, 36, 72, 73, 83; exodontias dos dentes 51, 61, 65, 74, 75, 84, 85; selante de fissuras do dente 26. A intervenção e o período pós-operatório decorreram sem complicações. Na consulta de controlo de 1 mês não se observaram alterações nos hábitos de higiene oral e alimentares, tendo-se verificado a presença de placa bacteriana e gengivite generalizadas. Foi reforçada a motivação, a importância e a instrução da higiene oral e de uma dieta não cariogénica. Na consulta de controlo dos 4 meses observou-se a manutenção de placa bacteriana e gengivite generalizadas e o desenvolvimento de uma nova lesão de cárie no dente 82. Os responsáveis referem que não houve alterações nos hábitos.
CONCLUSÕES: Como se constatou no presente caso, esta patologia tem muita tendência para recidiva, sendo difícil o seu controlo, uma vez que é necessária a alteração dos hábitos, tanto alimentares como de higiene oral. Para diminuir o risco de desenvolver CPI, a AAPD incentiva medidas preventivas muito precoces, como a primeira consulta de medicina dentária dever ser realizada durante o primeiro ano de vida da criança para efetuar uma avaliação do risco de cárie; modificar a dieta caso haja consumo frequente de açúcar; sensibilizar os pais com bons hábitos de higiene oral e aplicação de verniz de flúor em crianças com risco de CPI. Ao compreender e visar as barreiras específicas enfrentadas pelas famílias de baixo nível socioeconómico e com menor grau de escolaridade é também possível reduzir a prevalência e o impacto da CPI, promovendo melhores resultados em termos de saúde oral e geral para todas as crianças. A CPI é uma doença que pode ser prevenida. A sua prevenção deve ser baseada na educação para saúde oral, aconselhamento dietético e acesso a fontes de flúor.
Póster, nº 7, 10h00, Hall dos Posters.