Avaliação da espessura do osso palatino, na população portuguesa, para a inserção de dispositivos de ancoragem temporária: estudo retrospetivo
Póster de Investigação clínica em Ortodontia autoria de Iman Bugaighis, Anastasia Ananieva, Susana Furão, Paulo Mascarenhas, e
INTRODUÇÃO: Os microimplantes ortodônticos (MI) tornaram-se uma ferramenta popular para alcançar a ancoragem esquelética máxima durante o tratamento ortodôntico fixo, e o local ideal para colocação no palato duro permanece um tópico de debate. A literatura sugere o palato como local preferido para a colocação do MI devido ao seu volume ósseo suficiente tecido queratinizado. Contudo, é sempre necessário analisar e considerar as suas características estruturais.
OBJETIVOS: Este estudo teve como objetivo investigar a espessura do osso palatino numa coorte de pacientes portugueses, de diferentes faixas etárias. Deste modo, pretendeu-se identificar os locais favoráveis de inserção, para uma estabilidade ideal dos microimplantes ortodônticos (MI). Foram ainda avaliadas possíveis variações na espessura do osso palatino, relacionadas com o sexo, bem como das faixas etárias.
MATERAIS E MÉTODOS: Este estudo tridimensional retrospetivo foi feito entre Janeiro de 2023 e Fevereiro de 2024 na Clinica Universitário de Egas Moniz. Tendo em conta o cálculo amostral e a aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, a amostra final era constituída por cinquenta tomografias computadorizadas de feixe cónico (CBCT), de pacientes entre os 12 e 51 anos (23 homens e 27 mulheres). As CBCT foram organizadas de acordo a idade e o sexo. A espessura do osso palatino foi medida a 4, 8, 12, 16 e 20 mm posterior ao foramen incisivo (FI) e a 3, 6 e 9mm lateral à sutura palatina mediana (SPM). Um total de 750 regiões de interesse (ROI) foram avaliadas (15 para cada um dos 50 pacientes). Foram usados a ANOVA de dois fatores e o teste t de Student, para a análise dos dados, com um nível de significância de p < 0,05.
RESULTADOS: A espessura do osso palatino mais significativa, foi determinada 4 mm posterior ao FI e 9 mm lateral à SPM em todos os grupos investigados, com uma espessura média de 12,29 ± 2,00 mm para as mulheres e 13,59 ± 2,31 mm para os homens; 13.30 ± 2,38 mm para adolescentes e adultos jovens, e 12,27 ± 2,03 mm para adultos. As espessuras médias do osso nas secções de 12, 16 e 20 mm foram significativamente menores do que aquelas observadas a 4 e 8 mm posterior ao FI. Foram observadas diferenças estatisticamente significativas, entre homens e mulheres e entre diferentes faixas etárias.
CONCLUSÕES: A espessura do osso palatino varia com o sexo e a idade. As mulheres geralmente têm um osso palatino mais fino em comparação com os homens. A espessura do osso palatino tende a ser maior no grupo de adolescentes e adultos jovens (12-25 anos), do que nos adultos (27-51 anos). A espessura do osso diminui numa direção posterior dentro de cada secção sagital. A nossa investigação concluiu que, posteriormente à terceira ruga palatina, na área da zona T, encontra-se o local mais favorável para inserção de MI.
Póster, nº 38, 11h40, Hall dos Posters.