Prematuridade e defeitos de desenvolvimento do esmalte em pacientes pediátricos – Estudo observacional transversal numa clínica pedagógica
Póster de Investigação clínica em Odontopediatria autoria de Maria Inês Pinto, Maria Conceição Manso, Cristina Cardoso Silva, Rita Rodrigues, Viviana Macho e Cátia Carvalho Silva
INTRODUÇÃO: A prematuridade apresenta uma elevada prevalência em Portugal, estando frequentemente associada ao baixo peso ao nascimento. Estas circunstâncias afetam significativamente a saúde geral das crianças e, especificamente, a sua saúde oral dado que a literatura científica, relaciona estes fatores com defeitos de desenvolvimento do esmalte (DDE). Estes defeitos aumentam a suscetibilidade para o desenvolvimento de lesões de cárie dentária, um importante problema de saúde pública com um impacto considerável na saúde e qualidade de vida das crianças e das suas famílias.
OBJETIVOS: Perceber a relação existente entre vários outcomes relacionados com o período pré e perinatal, nomeadamente, toma de medicação durante a gravidez, tempo de gestação, peso ao nascimento e tipo de parto com a prevalência de DDE em crianças, utentes de uma clínica pedagógica de medicina dentária.
MATERAIS E MÉTODOS: Após parecer positivo da Comissão de Ética competente, foi realizado um estudo observacional, de natureza transversal, com uma amostra de conveniência, constituída pelas crianças, utentes de uma clínica pedagógica. A recolha de dados foi realizada por consulta do seu processo clínico, nomeadamente, dados referentes à história médica da criança e da sua progenitora, assim como, à condição oral da criança, especificamente, a presença de DDE. Foram considerados como critérios de inclusão: registos de crianças com idade ≤ 12 anos e informação clínica registada de forma legível; exclusão: crianças portadoras de síndromes ou outras doenças físicas e/ou mentais. O anonimato do utente foi obtido pela utilização de um código alfanumérico. Os dados recolhidos foram analisados utilizando o software estatístico IBM© SPSS Statistics, vs.29.0, mediante análise inferencial não paramétrica e multivariada (p<0,05).
RESULTADOS: A amostra deste estudo foi constituída por 191 pacientes. A prevalência de DDE na amostra foi de 53,9%. Os resultados mostraram que a prevalência de DDE foi significativamente maior nas crianças com nascimento pré-termo face às de termo (90.2% vs. 36,9%, p<0,001). Entre os DDE identificados em todas as crianças e em crianças pré-termo destaca-se a hipomineralização incisivo-molar (30,4% e 65,6%, respetivamente), seguindo-se a opacidade (17,3% e 31,1%) e a hipoplasia (3,7% e 8,2%). Os resultados demonstraram que o baixo peso ao nascimento (<2500g vs. ≥2500g; OR=4,380 (IC95%:1,705-11,250)), parto pré-termo (<37 vs. ≥37semanas; OR=15,660 (IC95%:6,273-39,093)) e tipo de parto (ventosa vs. eutócico; OR=5,417 (IC95%:1,129-25,985)), são fatores que contribuem, de forma multivariada e significativa, para o aumento no risco de DDE.
CONCLUSÕES: Na amostra estudada, a prematuridade foi um fator de risco significativo para o desenvolvimento de DDE, não podendo ser, porém, descurados outros fatores peri-natais com influência no desenvolvimento deste outcome. Nesse sentido, torna-se imperativo implementar um acompanhamento médico-dentário precoce, desde o nascimento, para crianças prematuras, integrando-as num programa de cuidados de saúde preventivos especiais que permita proteger a sua saúde oral, prevenindo as principais condições orais decorrentes dos DDE.
Póster, nº 34, 10h00, Hall dos Posters.