Ansiedade em Pacientes Odontopediátricos - Estudo Observacional Transversal numa Clínica Universitária

Póster de Investigação clínica em Odontopediatria autoria de Leonor Stanislau, Maria Conceição Manso, Joana Ferreira Azevedo, Rita Rodrigues, Viviana Marisa Pereira Macho e Cátia Carvalho Silva

Autores
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Leonor Stanislau Faculdade de Ciências da Saúde Universidade Fernando Pessoa
Maria Conceição Manso Faculdade de Ciências da Saúde Universidade Fernando Pessoa
Joana Ferreira Azevedo Faculdade de Ciências da Saúde Universidade Fernando Pessoa
Rita Rodrigues Faculdade de Ciências da Saúde Universidade Fernando Pessoa
Viviana Marisa Pereira Macho Faculdade de Ciências da Saúde Universidade Fernando Pessoa
Cátia Carvalho Silva Faculdade de Ciências da Saúde Universidade Fernando Pessoa
Candidato a prémio

INTRODUÇÃO: A ansiedade e o medo dentário constituem um tema pertinente na Odontopediatria, uma vez que crianças excessivamente ansiosas e com medo tendem a vivenciar consultas e tratamentos dentários de forma mais negativa, com comportamentos disruptivos associados. A ansiedade e o medo dentário são reconhecidos como uma fonte importante de problemas de saúde graves e podem persistir até à adolescência. Neste contexto, torna-se crucial a sua identificação precoce em crianças, recorrendo a escalas exatas e fiáveis, como um instrumento auxiliar e facilitador da consulta odontopediátrica.

OBJETIVOS: Avaliar os níveis de ansiedade dentária das crianças atendidas numa clínica médico-dentária universitária, em diferentes momentos da consulta, analisando a influência de variáveis sociodemográficas, horário da consulta e experiências negativas prévias.

MATERAIS E MÉTODOS: Após aprovação da comissão de ética competente, foi realizado um estudo observacional transversal com uma amostra de conveniência, numa clínica pedagógica entre Fevereiro e Maio de 2024. Foram estipulados critérios de inclusão e de exclusão para a seleção dos participantes. Consideraram-se elegíveis para participação no estudo, crianças com idade compreendida entre os três e os dezasseis anos de idade, cujos responsáveis legais assinassem a declaração de consentimento informado e excluídas todas as crianças que apresentassem necessidades especiais de saúde, cujos responsáveis legais não permitissem a sua inclusão no estudo e aquelas que não tinham experienciado uma consulta médico-dentária anteriormente. A avaliação do nível de ansiedade foi realizada através da aplicação da escala Children’s Fear Survey Schedule-Dental Subscale (CFSS-DS), com potencial de variação entre 15 (mínimo de ansiedade) e 75 (máximo de ansiedade) pontos, aplicada previamente ao início da consulta. Análise de dados descritiva e inferencial (testes não paramétricos) utilizando o software IBM SPSS Statistics, Vs.29.0, e considerando um nível de significância de 0,05.

RESULTADOS: A amostra deste estudo foi constituída por 57 participantes, 63,2% do género feminino, com uma média global de idade de 10,0±2,8 anos. Relativamente ao nível de ansiedade, observamos uma pontuação média de 23,0±8,2 pontos (variação total entre 16 e 52). Constatou-se que 52 crianças da amostra (91,2%) apresentaram pontuações <38 e apenas 5 crianças da amostra (8,8%) apresentaram pontuações ≥38. Não se verificaram diferenças significativas nos níveis de ansiedade dentária global das crianças quando comparadas por género, horário da consulta ou experiência negativa prévia. Foi verificado que o nível de ansiedade em rapazes foi significativamente mais elevado quando foram utilizados instrumentos rotatórios (p=0,035). O aumento da idade está associado significativamente a uma diminuição dos níveis de ansiedade global (rS=-0,330; p=0,012).

CONCLUSÕES: Conclui-se que a maioria das crianças que realizou atendimento médico-dentário, neste contexto, apresentou níveis de ansiedade relativamente baixos, não tendo o género, horário da consulta ou existência de experiências negativas prévias desempenhado um papel desencadeante nos mesmos. O aumento da idade relacionou-se com um decréscimo da ansiedade dentária. É essencial a identificação da ansiedade dentária nas crianças, no âmbito pedagógico, de forma a que sejam adotadas abordagens e estratégias ajustadas aos comportamentos e necessidades individuais de cada criança, melhorando assim a sua experiência na consulta odontopediátrica.

 

Póster, nº 33, 9h50, Hall dos Posters.

Congresso da OMD 2024
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