Hábitos de higiene oral em bebés e crianças em idade pré-escolar - Investigação
Póster de Investigação clínica em Odontopediatria autoria de Maria Barroso, Viviana Macho, Maria Conceição Manso, Cristina Cardoso Silva, Rita Rodrigues e Cátia Carvalho Silva
INTRODUÇÃO: As doenças orais apresentam uma elevada incidência e prevalência a nível mundial. As práticas saudáveis e os cuidados preventivos têm um impacto significativo na saúde oral e geral das crianças ao longo do seu desenvolvimento, devendo a higiene oral ser incorporada adequadamente na rotina familiar. Tendo em conta que a literatura evidencia falta de consciencialização sobre esta temática, tornou-se pertinente avaliar o conhecimento dos responsáveis de bebés e crianças sobre os hábitos de higiene oral infantil.
OBJETIVOS: Identificação dos hábitos de higiene oral e perceção do nível de conhecimento no que concerne a estes cuidados preventivos, dos pais/responsáveis legais de crianças dos 6 meses aos 6 anos.
MATERAIS E MÉTODOS: Após a aprovação da investigação pela Comissão de Ética competente, procedeu-se à realização de um estudo observacional descritivo e transversal, com aplicação de um questionário aos responsáveis legais de bebés/crianças entre os 6 meses e os 6 anos de idade que frequentavam as creches e as escolas do ensino pré-escolar do concelho Póvoa de Lanhoso. O questionário foi elaborado com base na literatura científica disponível e contemplava questões relacionadas com escovagem dentária, uso do fio dentário e realização da primeira consulta de medicina dentária. A análise descritiva e inferencial foi realizada utilizando o software IBM© SPSS© Statistics vs.29.0, sendo as comparações efetuadas por testes não paramétricos (p<0,05).
RESULTADOS: Todas as creches e escolas do ensino pré-escolar do concelho da Póvoa de Lanhoso participaram neste estudo. A amostra foi constituída por 388 responsáveis legais. A idade média (DP) dos bebés/crianças foi de 3,3 (1,3) anos, tendo sido a amostra dividida em 2 faixas etárias (<3 anos (27,6%)) e (≥3 anos (71,1%)), sendo 51% dos bebés/crianças do género masculino. Aproximadamente 91% dos participantes eram representadas pelas mães. A informação autorreportada permitiu observar que a maioria das crianças (61,1%), escovavam os dentes duas vezes ao dia e o número de vezes que ocorre tende a aumentar à medida que a criança cresce (p<0,001). Esta atividade era maioritariamente realizada ou auxiliada por um adulto (65,7%). Em relação à utilização do fio dentário ou escovilhão verificou-se que a maior parte dos bebés/crianças não utilizavam estes instrumentos de higiene oral nas suas rotinas (85,3%). Verificou-se que 47,2% ainda não tinham realizado a primeira consulta de Medicina Dentária e os que a fizeram não a haviam realizado no primeiro ano de vida da criança (46,6%). A realização da primeira consulta na idade recomendada demonstrou um impacto positivo na frequência da escovagem dentária (p<0,001) e no uso do fio dentário (p<0,001).
CONCLUSÕES: No presente estudo constatou-se que os hábitos de higiene oral não estão bem estabelecidos na amostra estudada, tendo em consideração que as atitudes adotadas não estão de acordo com as recomendações das entidades de referência na área de Odontopediatria. Torna-se evidente a necessidade de implementação de programas educacionais e campanhas de sensibilização sobre as práticas de higiene oral adequadas na comunidade direcionadas aos responsáveis de bebés e crianças em idade pré-escolar.
Póster, nº 32, 9h40, Hall dos Posters.