Potencial efeito de águas com sabor na saúde oral - estudo analítico
Póster de Investigação pré-clínica em Medicina dentária preventiva autoria de Mariana Costa Branco, Bárbara Cunha, Margarida Esteves, Maria Teresa Xavier, Ana Luísa Costa e Ana Daniela dos Santos Soares
Introdução : A erosão dentária é uma patologia oral irreversível e crónica, definida pela dissolução química de tecidos duros dentários por ácidos não bacterianos. Esta condição apresenta uma etiologia multifatorial, sendo os ácidos derivados de fontes extrínsecas, como a dieta ácida, o principal fator etiológico. As águas com sabor são bebidas açucaradas à base de água e com sabor a fruta que podem ser aromatizadas com extratos vegetais ou substâncias aromáticas e ter ou não gás.
Objetivo: O presente estudo objetivou determinar o pH de uma amostra diversificada e representativa das águas com sabor comercialmente disponíveis em Portugal e, adicionalmente, recolher informações dos rótulos das garrafas de água selecionadas, com o intuito de avaliar potenciais impactos na saúde oral, especialmente no que diz respeito à erosão dentária.
Materiais e Métodos: O estudo desenvolveu-se em duas etapas: (1) Análise química das amostras de água com sabor selecionadas, nomeadamente o seu valor de pH; (2) Consulta e interpretação das informações nutricionais presentes nos rótulos das águas. Efetuou-se a análise química de uma amostra de 20 águas aromatizadas, 13 com gás e 7 sem gás. Para medir o pH, utilizou-se um elétrodo de vidro com sensor de temperatura agregado. Todas as amostras de água permaneceram fechadas até ao momento de medição, e o procedimento foi realizado à temperatura ambiente, concretizando cinco medições para cada amostra. As amostras de águas com gás foram também sujeitas a um processo de desgaseificação e o seu pH foi medido antes e após. Adicionalmente, obteve-se informação relativamente à composição, declaração nutricional e dados adicionais das amostras de água. O levantamento e recolha das informações nutricionais teve por base a leitura direta do rótulo e o website de superfícies comerciais portuguesas.
Resultados: O pH das amostras de água com sabor sem gás variou entre 3,01 ± 0,00 e 3,26 ± 0,08. Para as águas com sabor com gás, após o processo de desgaseificação, o pH variou entre 2,90 ± 0,00 e 4,54 ± 0,00. Não se verificaram alterações significativas no valor de pH das amostras de água com sabor com gás, medido diretamente e após um processo de desgaseificação. Verificou-se que a totalidade das águas analisadas apresenta, na sua composição, aromas de fruta e acidificantes/reguladores de acidez (ácido cítrico). Da totalidade das águas analisadas, 20% apresenta uma mensagem referente à ausência de açúcar adicionado como “0% açúcar adicionado” ou “só com açúcares naturais da fruta”; e em 25%, é mencionada a sua elaboração apenas com ingredientes e/ou aromas naturais.
Conclusões: As águas aromatizadas apresentam pH ácido, derivado dos componentes adicionados (ácidos tripróticos), com valores inferiores ao pH crítico e, por conseguinte, são potencialmente erosivas.
Póster, nº 27, 15h50, Hall dos Posters.