Efeitos da irrigação endodôntica com uma nova fórmula de microbolhas nas forças de adesão por microtração à dentina coronária
Póster de Investigação pré-clínica em Endodontia autoria de Elder Fernandes, Joana A Marques, Arnab Banerjee, João Carlos Ramos, Rui Falacho e Paulo J. Palma
INTRODUÇÃO: O controlo da infeção desempenha um papel crucial no sucesso da terapia pulpar vital (TPV) e dos procedimentos de revitalização, promovendo um ambiente favorável à regeneração e reparação. O hipoclorito de sódio (NaOCl) é o irrigante mais utilizado, principalmente devido às suas excecionais propriedades antimicrobianas. Como agente desproteinizante, o NaOCl afeta simultaneamente a dentina através da oxidação dos seus componentes e dissolução do colagénio dentinário. As alterações induzidas pelo NaOCl na estrutura e composição química da dentina podem comprometer a interação entre os materiais restauradores e a dentina, e consequentemente a qualidade da interface adesiva. Adicionalmente, o NaOCl apresenta uma citotoxicidade indesejável, criando uma necessidade premente de identificar irrigantes alternativos. As microbolhas (MBs) foram introduzidas como agentes de contraste para bioimagem e transportadores de produtos farmacêuticos. A biocompatibilidade e propriedades antimicrobianas das MBs sugerem-nas como uma opção promissora para a irrigação endodôntica, um passo crítico para o sucesso do tratamento, particularmente em procedimentos de TPV e revitalização. No entanto, nenhum estudo avaliou os efeitos da irrigação com MBs na adesão à dentina coronária.
OBJETIVOS: Este estudo teve como objetivo comparar as forças de adesão por microtração (μTBS) à dentina coronária, após irrigação com NaOCl e uma nova fórmula de MBs.
MATERAIS E MÉTODOS: Foram definidos quatro grupos experimentais com base no protocolo de irrigação aplicado (n = 3): água destilada, NaOCl a 2.5%, NaOCl a 5.25% ou MBs ativadas ultrassonicamente. Todas as soluções de irrigação foram aplicadas durante 5 minutos. As amostras foram posteriormente restauradas utilizando um sistema adesivo autocondicionante (Clearfil SE Bond). Após a secção das amostras, um total de 200 bastonetes foram submetidos a testes de μTBS e o padrão de fratura foi subsequentemente avaliado. A análise estatística foi efetuada considerando um nível de significância de 0.05. Foi utilizado um modelo de regressão linear misto para comparar a μTBS intergrupos.
RESULTADOS: O modelo de regressão linear misto revelou diferenças estatisticamente significativas em relação à solução de irrigação (p < 0.001). O valor médio de μTBS mais elevado foi observado no grupo controlo (56.9 ± 14.5 MPa), seguido do grupo MBs (49.3 ± 12.6 MPa), do grupo NaOCl 2.5% (42.4 ± 14.0 MPa) e, finalmente, do grupo NaOCl 5.25% (36.9 ± 15.5 MPa). A irrigação da dentina com água destilada (controlo) produziu uma μTBS estatisticamente superior às MBs (p = 0.004), 2.5% NaOCl (p < 0.001) e 5.25% NaOCl (p < 0.001). Embora o tratamento da superfície da dentina com MBs tenha resultado numa redução da μTBS quando comparado com o controlo, o valor médio de μTBS obtido foi significativamente superior à força de adesão associada à dentina tratada com NaOCl, independentemente da concentração (p < 0.05). Adicionalmente, não se verificaram diferenças estatisticamente significativas entre os grupos NaOCl a 2.5% e NaOCl a 5.25% (p = 0.08).
CONCLUSÕES: Dentro das limitações do presente estudo in vitro, é possível concluir que, embora todas as soluções de irrigação testadas originem uma redução das forças de adesão, as MBs resultam numa força de adesão significativamente superior em comparação com a dentina tratada com NaOCl.
Póster, nº 25, 15h30, Hall dos Posters.