Eritema multiforme oral e seu impacto na qualidade de vida relacionada com a saúde oral: Caso Clínico
Póster de Casos clínicos em Patologia oral autoria de Augusta Silveira, Teresa Lapa, Inês Castro, Sandra Gavinha, Cristina Cardoso Silva e Maria Inês Guimarães
INTRODUÇÃO: Nas queixas principais que motivam a procura de uma consulta de Medicina Dentária, encontram-se patologias relacionadas com os dentes e estruturas de suporte, alterações da oclusão e com elevada frequência, as lesões ulcerativas das mucosas orais. (1,2). Estas, podem apresentar etiologia traumática, infeciosa, representar uma reação medicamentos, associar-se a diversos tipos de neoplasias malignas e/ou seus tratamentos, ou associar-se a patologias sistémicas e doenças mucocutâneas, sendo que esta diversidade de apresentação coloca um desafio clínico exigente, para o diagnóstico diferencial. O Eritema Multiforme (EM) é uma doença inflamatória aguda, vesículo-bulhosa, que pode estar presente na pele e/ou mucosas. Inicialmente apresenta-se com máculas vermelhas, friáveis (eritema), que podem evoluir para vesículas, bolhas e úlceras de extensão variável. tendo frequentemente associação a sintomas sistémicos. (3,4,5,6) Acomete indivíduos de qualquer idade, manifestando maior incidência na 3ª, 4ª décadas de vida O EM é descrito histologicamente como: edema intra e intercelular infiltrado, inflamatório misto de linfócitos T, pela hipersensibilidade imunológica. Usualmente exibe epitélio de revestimento com acantose e degeneração hidrópica. Pode apresentar necrose de células epiteliais basais. No tecido conjuntivo, apresentam-se neocapilares, vasos dilatados e infiltração de linfócitos e eosinófilos em disposição perivascular. A imunofluorescência direta e indireta é negativa e serve para descartar outros processos inflamatórios.(4,5,6,7)
DESCRIÇÃO DO CASO CLÍNICO: Doente do sexo feminino, com 74 anos, procurou a consulta de Medicina Dentária após vários meses a ser referenciada entre especialidades médicas por queixas de “aftas” na cavidade oral. Recebeu múltiplos diagnósticos e tratamentos farmacológicos sem resolução dos sintomas e com agravamento constante do quadro clínico. A paciente foi encaminhada para o Programa de Intervenção Precoce de Cancro Oral (PIPCO) tendo sido a partir daí acompanhada por uma equipa multidisciplinar de Médicos Dentistas. Na consulta de Medicina Dentária, foi realizada uma anamnese e avaliação extra-oral e intra-oral. Como medicação sistémica fazia: Escitalopram, Bromalex e Esomeprazol e tinha história de infeção repetida por Herpes Simplex. A paciente referia miastenia, perda ponderal de 7 Kg em 4 semanas, dificuldade em articular as palavras, odinofagia e disfagia. Adotava uma alimentação exclusivamente líquida, com recurso a palhas, há 2 semanas. Não apresentou ao longo de todo o período em observação lesões extra-orais. Ao exame clínico presentava eritema e ulceração de várias formas e tamanhos do lábio superior e inferior, palato duro e palato mole, língua, pavimento da boca, trígono retromolar e bochechas. As lesões friáveis e muito dolorosas estendiam-se ao istmo das fauces e orofaringe. Após análise de toda a história clínica e medicação sistémica chegou-se ao diagnóstico clínico de Eritema Multiforme e começou-se um ciclo de Metilprednisolona e Nistatina durante 3 meses até a resolução total das lesões.
CONCLUSÕES: O Eritema Multiforme, nas fases mais avançadas é responsável por uma diversidade de manifestações clínicas com impacto negativo na qualidade de vida do paciente e que pode inclusivamente alterar de tal forma alguns domínios que coloque em risco a vida do paciente, nomeadamente por subnutrição e caquexia.
Póster, nº 15, 12h20, Hall dos Posters.