Tratamento cirúrgico de osteonecrose mandibular induzida por bisfosfonato oral – caso clínico
Póster de Casos clínicos em Cirurgia oral autoria de Ivan Cabo, Andreia Fernandes, Ana Patrícia Rodrigues, Vladislav Danu, João Paulo Tondela e José Pedro Figueiredo
INTRODUÇÃO: Os bisfosfonatos orais têm sido amplamente utilizados no tratamento da osteoporose e no controlo de metástases ósseas de diversas neoplasias. A osteonecrose dos maxilares é uma complicação tardia da terapêutica com bisfosfonatos, em que as exodontias ou outras cirurgias orais dos ossos gnáticos exponenciam o risco de aparecimento de lesões de osteonecrose. O tratamento da osteonecrose dos maxilares relacionada com medicamentos (MRONJ) é ainda um desafio. A tentativa de proporcionar uma melhor qualidade de vida aos doentes, implica que a abordagem terapêutica seja feita de acordo com o estadiamento da doença. Recentemente, os concentrados de plaquetas autólogas, como a fibrina rica em plaquetas e leucócitos (L-PRF), têm mostrado resultados promissores na regeneração de tecidos moles e duros. A aplicação destes concentrados no tratamento cirúrgico melhora a angiogénese e a cicatrização tecidular, aumentando a probabilidade do sucesso terapêutico.
DESCRIÇÃO DO CASO CLÍNICO: Mulher, 70 anos, com antecedentes de osteoporose, diabetes mellitus e carcinoma da mama, submetida a mastectomia radical, hormonoterapia e quimioterapia há 11 anos. Realizou terapêutica oral com ácido alendrónico, durante os últimos 10 anos. Recorreu a consulta de urgência por agravamento das queixas álgicas e edema mandibular, que terão surgido desde a extração dos dentes 43 e 44, cerca de 2 meses antes. À observação apresentava lesão exofítica, de bordos irregulares, dolorosa, localizada no rebordo alveolar do 4º quadrante, com exposição óssea e drenagem purulenta, associados a edema intra e extra-orais. A ortopantomografia e a tomografia computorizada de feixe cónico revelaram uma lesão heterogénea mandibular, com rebordo radiotransparente, sugerindo um sequestro ósseo. Perante o provável estádio 2 de osteonecrose dos maxilares associada aos bisfofonatos, foi realizada uma sequestrectomia com colocação de membranas de L-PRF e encerramento primário. Paralelamente, foi medicada com clindamicina 300mg, 8/8h durante 2 semanas. O resultado anatomopatológico confirmou o diagnóstico de osteonecrose da mandíbula, no contexto da terapêutica com bisfosfonatos. No follow-up aos 4 meses apresentava-se assintomática, com o rebordo gengival do 4º quadrante completamente recoberto por mucosa e sem sinais inflamatórios. Na ortopantomografia, a região da sequestrectomia apresentava-se em remodelação, hipotransparente mas homogénea, sem sinais de recidiva.
CONCLUSÕES: Os objetivos do tratamento dos doentes com MRONJ são dirigidos para o tratamento da dor, o controlo da infeção e limitação da progressão da necrose óssea. A remoção de todo o osso necrótico é importante no tratamento e resolução da MRONJ, tornando a ressecção cirúrgica, um procedimento altamente invasivo em doentes em estádios avançados. A aplicação do L-PRF no tratamento cirúrgico da MRONJ pode melhorar a qualidade de vida e reduzir a dor e as infeções pós-operatórias. Assim, o protocolo cirúrgico clássico coadjuvado pela aplicação de L-PRF apresentado neste caso clínico, apresenta resultados promissores no tratamento de doentes com osteonecrose dos maxilares em estádios avançados de alto risco.
Póster, nº 1, 09h00, Hall dos Posters.