Reabilitação oral de carcinoma epidermóide mandibular caso clínico
Comunicação oral de Casos clínicos em Prostodontia fixa autoria de Jorge Sousa, Fernando Guerra, Salomão Rocha, Patrícia Dias, Ivan Cabo e Teresa Lopes
INTRODUÇÃO: O carcinoma epidermóide representa a neoplasia maligna mais frequente na cavidade oral abrangendo a mucosa bucal, assoalho da boca, língua anterior, cristas alveolares, trígono retromolar, palato duro e parte interna dos lábios. A reconstrução de grandes defeitos e reabilitação oral com qualidade de vida, principalmente após cirurgia oncológica extensa na região maxilofacial, concomitante com radioterapia e quimioterapia, é um objetivo desejável, mas complexo e difícil de alcançar, requerendo abordagem, planeamento e execução multidisciplinar, em prol do interesse e da qualidade de vida do Paciente.
DESCRIÇÃO DO CASO CLÍNICO: Paciente caucasiano do sexo masculino com 70 anos, aposentado, medicado com provastatina e ácido acetilsalicílico, diagnosticado com carcinoma epidermoide bem diferenciado da mandibula, invasão neural multifocal extra e intratumoral, vascular, com margens mínimas. 2018 foi realizado o esvaziamento do supraomohioideu e mentoniano, detetadas metástases em 2 de 3 gânglios no esvaziamento da peça, padrão de invasão WPOI-5; mandilectomia; reconstrução com placa de titânio e retalho supraclaviclar; laqueação dos vasos cervicais esquerdos. 2019 remoção por fratura da placa e EMOS de placa de reconstrução por cervicotomia esquerda, retalho livre osteomiofasciocutâneo de peróneo, OS placa de reconstrução, traqueostomia, reconstrução deiscência intra-oral com retalho nasogeniano esquerdo e enxertos de pele da região toráxica e cervical. 2022 O Paciente avaliado em Reabilitação Oral, seguindo o protocolo estabelecido: anamnese, avaliação clinica, status radiológico e CBCT, protocolo fotográfico intra e extra oral, diagnóstico, apresentação de planos e opções de tratamento; Aprovanda reabilitação por sobredentadura metaloacrílica mandibular dento-implante suportada, retida por barra de dolder sobre dois implantes, de forma a promover suporte labial, contenção de líquidos e alimentos, assegurando uma higiene adequada e acessível; Arco superior reabilitado por coroas cerâmicas aparafusadas com pilar Ti-base sobre implantes. 2023, testes funcionais em articulador semi-ajustável e provas em boca, de forma a definir DVO, PIM e suporte adequado; sobreposição com TAC determinando as melhores posições para barra de dolder e implantes, garantindo distribuição adequada das cargas e evitando estruturas sensíveis. Cirurgia guiada de implantes dentários em retalhos livres de peróneo irradiado microvascular com sucesso e estabilidade; Osteointegração do 26 deficitária, optando-se pela explantação com preservação óssea, limitando a plataforma oclusal ao 25 Em 2024, após osteointegração assintomática e estável dos implantes, Reabilitação Protética Oral de acordo com o anteriormente definido, por técnica de dupla mistura, moldagem fechada superior, moldeira individual aberta inferior, efetuadas provas de cera, passividade, prova barra dolder, prova dentes inferior e de maquete superior, com enfoque na fonética e testes de deglutição, confirmando suporte adequado dos tecidos e conforto do Paciente, avançando para colocação das próteses definitivas e controles subsequentes. Paciente relatou melhorias significativas na sua qualidade de vida, conseguindo comer e falar de uma forma que considera confortável, e sentindo-se bastante satisfeito com o resultado obtido.
CONCLUSÕES: O cancro da cavidade oral é uma doença potencialmente fatal, o seu diagnóstico e tratamento precoces são fundamentais, mesmo assim, as funções orais do Paciente podem ficar gravemente afetadas, necessitando de uma reabilitação oral complexa e multidisciplinar, procurando restabelecer as funções a um estado aceitável, garantindo ao doente conforto e qualidade de vida dignas e aceitáveis.
Comunicação oral, nº 6, 11h50, Sala 1.