Tratamento da mucosite peri-implantar com jato de ar-água e pó de eritritol: estudo clínico controlado randomizado
Comunicação oral de Investigação clínica em Periodontologia autoria de Lara Gomes, Isabel Poiares Baptista, Diogo Banaco, Orlando Martins, e
INTRODUÇÃO: A mucosite peri-implantar representa uma resposta inflamatória dos tecidos peri-implantares, cuja causa principal é a acumulação de placa bacteriana na superfície dos implantes, sem que ocorra perda óssea. O seu diagnóstico e tratamento precoces são essenciais para reverter a condição inflamatória e evitar a progressão para peri-implantite. Atualmente, não há evidência suficiente que fundamente, para o tratamento da mucosite, o uso específico de um protocolo de instrumentação pelo profissional comparativamente a apenas instruções de higiene oral transmitidas ao paciente.
OBJETIVOS: Avaliar a eficácia do sistema de jato ar-água comparativamente ao uso exclusivo de instruções de higiene oral no tratamento da mucosite peri-implantar.
MATERAIS E MÉTODOS: 24 pacientes com pelo menos um implante diagnosticado com mucosite peri-implantar foram incluídos no estudo e, aleatoriamente, alocados ao grupo teste (GT) ou ao grupo controlo (GC), através de envelopes opacos abertos imediatamente antes do procedimento. Foi incluído um implante por paciente. Considerando a natureza do procedimento, o operador e paciente não eram cegos em relação ao tratamento. Os pacientes do GT, além de instruções de higiene oral, receberam tratamento peri-implantar com jato de ar-água com pó de eritritol, enquanto os do GC receberam apenas instruções de higiene oral (operador 2). A hemorragia à sondagem (HS), presença de placa bacteriana (PB) e profundidade de sondagem (PS), quer ao nível do implante quer na boca toda, foram avaliadas na primeira consulta e dois meses após o tratamento. A nível do implante avaliou-se ainda a severidade da hemorragia à sondagem (operador 1). O desfecho primário foi a redução da hemorragia à sondagem no implante (IBoP). Os desfechos secundários foram a redução dos índices de placa (ao nível do implante e boca inteira), PS do implante, HS na boca inteira, severidade da hemorragia à sondagem no implante e resolução completa da doença (ausência total de IBoP). A análise estatística foi feita com recurso aos testes de T-student e do Qui-Quadrado, assumindo-se um nível de significância de 0,05.
RESULTADOS: Entre os 24 doentes incluídos, 22 foram avaliados (11 doentes por grupo) dois meses após o tratamento. Intragrupo verificou-se uma redução significativa no IBoP, em ambos os grupos [GC: IBoP=74.2 ± 21.5% (baseline) vs. IBoP=18.2 ± 17.4% (2 meses); GT: IBoP=74.2 ± 21.5% (baseline) vs. IBoP=24.2 ± 32.8% (2 meses)], sem diferenças estatisticamente significativas entre grupos (p=0,604). Relativamente aos desfechos secundários, aos dois meses, intergrupo não se identificaram diferenças estatisticamente significativas em nenhum dos parâmetros avaliados. Dois meses após o tratamento, nenhum dos implantes de qualquer grupo apresentava hemorragia profusa à sondagem. A resolução completa da doença ocorreu em 36% dos implantes do GC e 45% no GT (p > 0,05). Não ocorreram efeitos adversos ou secundários.
CONCLUSÕES: Os resultados do presente estudo sugerem que a utilização do jato de ar-água com pó de eritritol no tratamento da mucosite peri-implantar não parece ser clinicamente superior ao uso exclusivo de instruções de higiene oral. No entanto, são necessários estudos com uma amostra maior para confirmar estes resultados preliminares.
Comunicação oral, nº 13, 15h30, Sala 1.