Avaliação Tridimensional da Localização do Canal Mandibular: Estudo Retrospetivo.
Comunicação oral de Investigação clínica em Ortodontia autoria de Jéssica Feliciano, Iman Bugaighis, Joana Mendes Borga, Luís Proença, Pedro Mariano Pereira e
A ortodontia enfrenta o constante desafio de desenvolver e implementar novas técnicas, materiais e abordagens, visando melhorar a eficácia dos tratamentos ortodônticos. A utilização de micro-implantes como dispositivos de ancoragem esquelética temporária tem se tornado cada vez mais usual na ortodontia moderna. Os micro-implantes colocados na plataforma mandibular apresentam desafios específicos principalmente devido à proximidade ao canal mandibular. Em estudos precedentes, não foi avaliada a angulação de inserção possível de efetuar, sem haver risco de interferir com o canal mandibular. Neste sentido, o presente estudo retrospetivo surge com o objetivo de colmatar essa limitação de estudos anteriores. Pretendeu-se avaliar qual a localização da plataforma mandibular mais segura para inserção de micro-implantes, sem interferir com o canal mandibular, tendo em conta a angulação de inserção e o comprimento do micro-implante. Pretendeu-se ainda avaliar qual a influência da idade e do sexo nessa localização. A amostra foi constituída a partir da análise dos processos clínicos de pacientes que realizaram Tomografias de Feixe Cónico (CBCT) numa clínica universitária entre janeiro de 2023 e março de 2024. Após o cálculo prévio da amostra e a aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, a amostra ficou constituída por 96 pacientes (58 mulheres e 38 homens) com idade média de 25,5 (±10,2). Foram realizadas medições bilaterais em quatro zonas da plataforma mandibular ao nível dos segundos molares inferiores: tangente à face distal, cúspide disto-vestibular, sulco vestibular e cúspide mesio-vestibular. Após prévia orientação dos CBCT, determinou-se o ponto médio transversal superficial da plataforma mandibular. De seguida determinou-se a angulação máxima desse ponto ao canal mandibular, relativamente ao plano vertical. Mediu-se com essa angulação a distância do ponto médio da plataforma mandibular ao canal mandibular. De modo a determinar o erro intra-examinador, foram repetidas as medições em 10% da amostra, obtendo-se valores de coeficiente de correlação, entre 0,926 e 0,996. Além da análise estatística descritiva, foram utilizados métodos de comparação inferencial. Neste último caso foi estabelecido um nível de significância de 5%. A largura transversal da plataforma mandibular e a distância do ponto médio desta ao ponto mais próximo do canal mandibular aumentaram progressivamente em direção posterior, contrariamente à medição angular que diminuiu progressivamente em direção posterior, indicando que quanto mais posteriormente mais vertical é a relação do canal mandibular com o ponto médio da plataforma mandibular. Ao nível da cúspide mesial, a largura da plataforma mandibular foi maior no sexo masculino (P=0,011) e a distância ao canal foi superior em todas as localizações (p22 anos (p=0,035). Com base na amostra estudada, a localização ideal para a inserção de micro-implantes na plataforma mandibular é a região tangente à superfície distal do segundo molar. No entanto, devido à variabilidade nos resultados obtidos, recomenda-se recorrer ao CBCT previamente à inserção, de forma a prevenir o risco de provocar lesões no nervo alveolar inferior.
Comunicação oral, nº 12, 15h10, Sala 1.