Avaliação dos conhecimentos, literacia e práticas em saúde oral infantil de pais/ cuidadores de crianças dos 3-10 anos: estudo observacional
Comunicação oral de Investigação clínica em Medicina dentária preventiva autoria de Beatriz Marques Tomé, Maria Teresa Xavier, Daniela Santos Soares, Ana Telma Pereira, Ana Messias e Ana Luísa Costa
Introdução: A saúde oral da criança é determinada por fatores biológicos, socioeconómicos e comportamentais, que são expressos a nível individual, comunitário e familiar da criança. No âmbito familiar, e particularmente na infância, os pais desempenham um papel crucial, já que representam um modelo de comportamento para os filhos e são responsáveis por estabelecer os primeiros hábitos de higiene oral da criança. A literacia em saúde oral define-se como a capacidade demonstrada de obter, processar e compreender a informação básica relacionada com esta temática, bem como os recursos necessários para tomar decisões apropriadas. Os pais com níveis mais baixos de literacia em saúde oral enfrentam inúmeros desafios que podem dificultar a implementação de comportamentos preventivos adequados em saúde oral nos seus filhos, influenciando os seus outcomes em saúde oral.
Objetivo: Avaliar o nível de conhecimentos, literacia, e práticas em saúde oral de pais/cuidadores relativamente à saúde oral dos seus filhos (entre os 3 e 10 anos) e investigar possíveis relações com características sociodemográficas.
Materiais e Métodos: Este estudo observacional transversal visou a aplicação de um questionário a pais/cuidadores de crianças com idades compreendidas entre os 3-10 anos, fluentes em português e a residir em Portugal, com cumprimento dos requisitos éticos exigidos. Foram utilizados métodos de amostragem de conveniência e de bola de neve. O questionário desenvolvido com base em estudos prévios, de caráter anónimo e semiestruturado, foi distribuído em papel e online (fevereiro-abril de 2024), em 2 escolas, em aulas de clínica de Odontopediatria e em contexto de consulta privada. Os dados obtidos foram analisados com recurso ao IBM SPSS versão 29.0 e descritos em frequência e percentagem. Para avaliar as associações entre as características sociodemográficas dos pais e os seus conhecimentos, literacia e práticas em saúde oral infantil recorreu-se ao teste qui-quadrado, tendo os resultados sido considerados significativos para um intervalo de confiança de 95%.
Resultados: Foram incluídos na análise final 590 questionários. 87.3% da amostra eram mulheres e 92.7% tinha mais de 30 anos. A maioria dos inquiridos respondeu corretamente em 13 das 15 questões relativamente ao nível de conhecimentos em saúde oral. Apesar disso, dados como apenas 14.3% dos pais saberem que devem realizar a escovagem dentária da criança até esta ter pelo menos 6 anos, revelam lacunas fundamentais relativamente às necessidades de higiene oral dos seus filhos. A maioria dos pais concordou com as afirmações relativas à literacia em saúde oral. Verificou-se associação entre o nível de escolaridade dos pais e cuidadores em 12 de 15 questões relativas aos conhecimentos em saúde oral e em 4 de 8 afirmações relativas à literacia em saúde oral.
Conclusão: A maioria dos pais demonstrou um nível adequado de conhecimentos e práticas de saúde oral; contudo, foram observadas lacunas críticas em conhecimentos essenciais, sublinhando a necessidade de intervenções de promoção e educação para a saúde oral. Os resultados destacaram uma associação significativa entre o nível de escolaridade dos pais e os conhecimentos e literacia em saúde oral, tornando-os um importante alvo das intervenções e medidas preventivas da patologia dentária na criança.
Comunicação oral, nº 11, 14h50, Sala 1.