Microcirurgia endodôntica de um primeiro molar superior com envolvimento do seio maxilar após reação de corpo estranho: Caso clínico
Comunicação oral de Casos clínicos em Endodontia autoria de Sofia Moura Furtado, Ana Filipa Silva Marques, Jorge Martins, Mário Rito, António Ginjeira e
INTRODUÇÃO: Os corpos estranhos encontrados no seio maxilar incluem raízes dentárias, materiais de obturação, implantes dentários, entre outros. Um objeto estranho pode atingir a região apical por acidente ou iatrogenia durante procedimentos dentários. Na maioria dos casos, esses materiais entram através de uma comunicação oroantral. A presença de um corpo estranho nos tecidos periapicais pode causar insucesso endodôntico ao desencadear uma resposta inflamatória e uma subsequente reação de corpo estranho. A presença de um corpo estranho no interior do seio maxilar pode resultar em queixas de corrimento nasal, episódios ocasionais de pus, gosto de sangue na boca e dores de cabeça intermitentes. É possível que pequenos materiais estranhos sejam expelidos espontaneamente, mas, na maioria dos casos, precisam ser removidos através de procedimentos cirúrgicos.
DESCRIÇÃO DO CASO CLÍNICO: Uma paciente do sexo feminino, 73 anos, apresentou-se com dor moderada espontânea e à mastigação na região do segundo quadrante. A paciente relatava sentir corrimento nasal constante, principalmente da cavidade nasal esquerda, e recorrentes cefaleias. O primeiro molar superior esquerdo havia sido submetido a um tratamento endodôntico há mais de 20 anos. Não havia história prévia que sugerisse a presença de sinusite ou fístula oroantral imediatamente após o tratamento endodôntico prévio. O exame clínico não revelou qualquer sinal de alterações inflamatórias intra-orais, como fístula oroantral, mas detectou dor à percussão vertical e horizontal. A radiografia periapical, que abrangeu o seio perinasal esquerdo, revelou a presença de um corpo estranho radiopaco no interior da cavidade sinusal. Foi também realizado um CBCT que, além do corpo estranho e da reação inflamatória associada no interior do seio sinusal, revelou uma extensa lesão periapical radiolúcida associada às raízes mesiovestibular e palatina. Realizou-se a microcirurgia endodôntica do dente 26, onde foram curetadas as lesões periapicais associadas às raízes mesiovestibular e palatina, e houve envolvimento do seio para remover o corpo estranho que estava no seu interior. Os canais mesiovestibular, distovestibular e palatino foram retropreparados e retrobturados com material biocerâmico. Para facilitar o processo de regeneração da membrana de Schneider, foram utilizadas duas membranas de L-PRF resultantes da centrifugação do sangue da paciente e um bloco de L-PRF, resultante da junção de uma membrana de L-PRF com biomaterial e plasma. No controlo de seis meses, verificou-se uma evolução favorável, e a paciente relatou não apresentar mais sintomas compatíveis com sinusite.
CONCLUSÕES: É geralmente aceite que a intervenção cirúrgica imediata para remover um corpo estranho é recomendada para evitar possíveis sequelas, como sinusite aguda/crônica ou formação de cistos na mucosa. A abordagem ao seio é realizada por cirurgia aberta através de uma sinusotomia Caldwell-Luc que, além da remoção do corpo estranho, tem como objetivo a desobstrução e drenagem do seio. Foram colhidas amostras do corpo estranho e das lesões periapicais para exame histopatológico, que posteriormente revelaram “amostra constituída por fragmentos de tecido conjuntivo fibroso hialinizado, com denso infiltrado inflamatório predominantemente linfoplasmocitário, numerosos polimorfonucleares, macrófagos espumosos e algumas fendas de cristais de colesterol”. Após constatação de uma evolução clínica favorável, a abordagem cirúrgica efetuada pode ser considerada como bem-sucedida.
Comunicação oral, nº 1, 09h00, Sala 1.