Surgery First no tratamento da Síndrome de Apneia Obstrutiva do Sono – Caso clínico
póster de Casos clínicos em Ortodontia candidato a prémio de Raquel Travassos, Inês Francisco, Flávia Pereira, Catarina Nunes, Isabel Amado, Francisco Vale
Introdução: A síndrome de apneia obstrutiva do sono (SAOS) é um distúrbio respiratório relacionado com o sono que se caracteriza por episódios de obstrução parcial (hipopneia) ou completa (apneia) da via aérea superior com duração de pelo menos 10 segundos. Estima-se que afeta 5%-20% da população adulta, sendo três vezes mais comum no sexo masculino do que no feminino. A SAOS influencia a saúde e qualidade de vida do doente, nomeadamente: sonolência diária, fadiga, défice cognitivo e aumento do risco de doenças cardiovasculares. O seu tratamento inclui métodos preventivos, dispositivos que melhoram a respiração e cirurgia, incluindo a cirurgia ortognática. _x000D_
O objetivo deste trabalho é apresentar um caso clínico com SAOS tratado com sucesso através de cirurgia ortognática
Descrição do Caso Clínico: Doente do sexo masculino, 43 anos e 3 meses de idade, com Síndrome de Apneia Obstrutiva do Sono de grau moderado com índice de apneia-hipopneia de 22. No caso apresentado, perante o insucesso do tratamento com pressão positiva continua, foi sugerido ao doente a realização de cirurgia ortognática. _x000D_
Na análise cefalométrica observou-se uma Classe I esquelética (< ANB 3º) com recuo da posição da maxila (< SNA 77º) e da mandíbula (< SNB 74º) em relação à base do crânio. Este padrão esquelético propicia o estreitamento ou obstrução da via aérea superior (1), que se confirmou pela avaliação nos exames radiográficos do volume e da dimensão axial mínima da via aérea superior. O plano de tratamento proposto consistiu: cirurgia ortognática, pela técnica Surgery First, com Le Fort I maxilar de avanço de 7 mm e impactação de 2 mm e osteotomia sagital bilateral de avanço mandibular de 7 mm._x000D_
A pressão positiva contínua é considerada como o tratamento gold-standard para a SAOS. Contudo, têm sido reportadas taxas de 40-86% de falha na adesão terapêutica. Desde que Guilleminault et al., em 1976, descreveu a cirurgia de avanço bimaxilar como um tratamento efetivo para os doentes com perfil facial retrusivo e SAOS, diversos estudos têm demonstrado os seus benefícios. Este movimento cirúrgico permite que a parede faríngea anterior se movimente para a frente, resultando no alargamento da via aérea faríngea e, consequentemente, a diminuição do índice de apneia-hipopneia. Tendo em conta a normoinclinação dentária relativamente às bases esqueléticas, optou-se pela técnica Surgery First que minimiza o tempo de tratamento, permitindo a melhoria imediata do volume e distância axial mínima das vias aéreas superiores._x000D_
Decorridos 2 meses da cirurgia não se verificaram complicações pós-cirúrgicas, o doente referiu melhoria dos sintomas associados à SAOS e na avaliação dos exames radiográficos observou-se aumento do volume e da dimensão axial mínima da via aérea superior.
Conclusões: A técnica Surgery First permitiu a realização imediata da cirurgia e a consequente melhoria da SAOS. O movimento de avanço bimaxilar aumentou o volume e a dimensão axial mínima da via aérea superior.
póster nº Ortodontia, 11/4/2021 ()12h10 no Sala e-Posters
Raquel Travassos (Autor apresentador), Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra
Inês Francisco (Co-autor), Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra
Flávia Pereira (Co-autor), Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra
Catarina Nunes (Co-autor), Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra
Isabel Amado (Co-autor), Serviço de Cirurgia Maxilofacial, Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra
Francisco Vale (Co-autor), Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra