Dens in Dente - A propósito de um caso clínico
póster de Casos clínicos em Endodontia candidato a prémio de Ricardo Esteves, Bernardo Ferreira de Lemos, Luís França Martins, Inês Alves Martins, Patrícia Manarte Monteiro, Miguel Albuquerque Matos
Introdução: Dens in dente, também denominado de dens invaginatus, é uma anomalia provavelmente resultante de uma inversão da papila dental durante o desenvolvimento dentário. É caracterizada pela presença de tecido calcificado, como esmalte e dentina, no espaço da cavidade pulpar, ocorrendo antes da calcificação dos tecidos dentários. _x000D_
Esta malformação é maioritariamente observada em incisivos laterais superiores, com uma prevalência destas lesões em 0,3-10% dos casos._x000D_
A classificação mais utilizada para estas lesões foi descrita por Oehler em 1957 e divide-se em 3 categorias:_x000D_
-Classe I: a extensão é mínima e praticamente delimitada à coroa do dente, sendo estas revestidas por esmalte e não além da junção amelo cementária._x000D_
-Classe II: as invaginações são compostas por esmalte, mas neste caso já se estendem até à câmara pulpar mas sem comunicação com o ligamento periodontal ou a polpa. _x000D_
-Classe IIIa: as lesões aqui já se estendem através da raiz, havendo mínimas comunicações com o espaço do ligamento periodontal. _x000D_
-Classe IIIb: as invaginações são completas ao longo da raiz com comunicações ao ligamento periodontal no foramen apical. Nestes casos são visíveis alterações morfológicas consideráveis.
Descrição do Caso Clínico: Paciente de 12 anos, sexo masculino, compareceu na consulta de Medicina Dentária relatando a presença de uma fístula a nível dos tecidos adjacentes ao dente 1.2 e dor à mastigação associada. Não existia qualquer história anterior de trauma. _x000D_
No exame intraoral foi confirmada a presença de fístula (Figura 1), bem como, dor à percussão vertical. Radiograficamente foi diagnosticado um dens in dente tipo IIIa com presença de lesão radiográfica lateral associada (radiografia Inicial). Os testes de sensibilidade realizados indicaram um estado pulpar de normalidade e como tal foi decidido realizar apenas tratamento da polpa radicular necrosada correspondente à parte da anomalia dentária. _x000D_
O acesso foi realizado inicialmente com broca esférica e pontas de ultrassons com recurso a microscópio, tendo sido instrumentado e irrigado abundantemente com hipoclorito de sódio a 5,25%. A instrumentação foi dificultada quer pela curvatura presente quer pela dureza dos tecidos inerentes a este tipo de anomalia. No final da primeira sessão foi feita a colocação de hidróxido de cálcio. Na segunda sessão (figura2), e dada a ausência de conicidade apical da parte do dens in dente foi decidido obturar com ProRoot MTA®. A aplicação deste material foi realizada com recurso a pontas de papel. O controlo do paciente foi feito ao 1 mês (Figura 3), 3 meses , 14 meses (Figura 4) e 24 meses tendo-se verificado regressão total da fístula, ausência de dor à percussão/mastigação, diminuição da lesão radiográfica e um estado de vitalidade pulpar normal, que permitiu a continuação o desenvolvimento radicular.
Conclusões: A etiopatogenia destas lesões não é unanime, mas, entre várias hipóteses, surgem justificações genéticas (fator mais comum) e morfológicas, fatores associados a trauma ou infeções ou até mesmo falhas de crescimento ou pressão dos tecidos adjacentes.
póster nº Endodontia, 11/4/2021 ()11h40 no Sala e-Posters
Ricardo Esteves (Autor apresentador), Faculdade de Ciências da Saúde Universidade Fernando Pessoa
Bernardo Ferreira de Lemos (Co-autor), Faculdade de Ciências da Saúde Universidade Fernando Pessoa
Luís França Martins (Co-autor), Faculdade de Ciências da Saúde Universidade Fernando Pessoa
Inês Alves Martins (Co-autor), Faculdade de Ciências da Saúde Universidade Fernando Pessoa
Patrícia Manarte Monteiro (Co-autor), Faculdade de Ciências da Saúde Universidade Fernando Pessoa
Miguel Albuquerque Matos (Co-autor), Faculdade de Ciências da Saúde Universidade Fernando Pessoa