Recidiva após tratamento ortodôntico-cirúrgico: estudo retrospetivo
póster de Investigação clínica em Ortodontia não candidato a prémio de João Matos, Raquel Travassos, Francisco Caramelo, Inês Francisco, Francisco Vale,
Introdução: A deformidade dentofacial (DDF) traduz-se numa desarmonia dos maxilares, entre estes ou com as restantes estruturas da base do crânio, durante o processo de crescimento do indivíduo. Após o términus de crescimento, a DDF pode ser corrigida pelo tratamento ortodôntico-cirúrgico, de forma a obter resultados funcionais e estéticos com estabilidade a longo prazo. Os fatores de estabilidade do tratamento ortodôntico-cirúrgico têm sido investigados, porém a literatura refere a etiologia da recidiva dentária e esquelética como complexa e multifatorial.
Objetivos: Este estudo pretende avaliar a influência do tempo de contenção, tipo de classe esquelética, do sexo e da idade final do tratamento, na recidiva dentária e esquelética do tratamento ortodôntico-cirúrgico.
Materiais e Métodos: Neste estudo clínico retrospetivo longitudinal foram incluídos 25 doentes submetidos a tratamento ortodôntico-cirúrgico. Os modelos de estudo e a telerradiografia de perfil da face foram avaliados antes (T0), imediatamente após a remoção da aparatologia (T1) e na fase de contenção (T2) do tratamento ortodôntico-cirúrgico. As variáveis foram avaliadas com recurso a uma régua milimétrica e ao software Dolphin Image, de forma obter as medições das variáveis dentárias e esqueléticas, respetivamente. Para calcular as diferenças entre T2 e T1 usou-se o teste de Wilcoxon com valor p corrigido pelo método Benjamini-Hochberg. Para avaliar a influência do tempo de contenção na diferença entre T2 e T1 aplicou-se o método Kruskal Wallis, enquanto que para a associação de variáveis nominais e diferenças entre variáveis quantitativas recorreu-se aos testes de Fisher e Mann-Whitney, respetivamente. Considerou-se como estatisticamente significativos valores para p<0,05.
Resultados: Não foram detetadas diferenças estatisticamente significativas na diferença entre os momentos T2 e T1 nos valores de recidiva das variáveis overjet e ANB (p>0,05). Não se verificaram diferenças entre os diferentes tempos de contenção (KW, p=0.821 e KW, p=0.107, respetivamente). O tipo de má oclusão, sexo e idade final não influenciaram a recidiva do tratamento ortodôntico-cirúrgico (Fisher, p=0,202; Fisher, p=1,000; MW, p=0.667, respetivamente). Neste estudo observaram-se oito casos de recidiva dentária (32% – IC95% [12.4%; 51.7%]) e nenhum caso (0%) de recidiva esquelética.
Conclusões: Neste estudo não foram encontradas diferenças estatisticamente significativas nas variáveis em análise, o que demonstra estabilidade do tratamento ortodôntico-cirúrgico a longo prazo para a amostra estudada.
póster nº Ortodontia, 11/5/2021 ()09h30 às 10h30 no Hall dos Posters
João Matos (Autor apresentador), Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra
Raquel Travassos (Co-autor), Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra
Francisco Caramelo (Co-autor), Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra
Inês Francisco (Co-autor), Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra
Francisco Vale (Co-autor), Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra
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