TRATAMENTO ORTODÔNTICO EM PACIENTES COM PERTURBAÇÃO DO ESPECTRO DE AUTISMO - DOIS CASOS CLÍNICOS

comunicação oral de Casos clínicos em Ortodontia não candidata a prémio de Tânia Lourenço, , , , ,

Autores
Não candidato a prémio

Introdução: Neste trabalho são apresentados dois casos clínicos sobre a realização de tratamento ortodôntico fixo em pacientes com perturbação do espetro de autismo._x000D_
Existem poucos casos clínicos publicados sobre tratamentos ortodônticos neste tipo de pacientes. _x000D_
A perturbação do espetro de autismo é um síndrome neuro-comportamental com origem no sistema nervoso central que pertence ao grupo das Perturbações de Neurodesenvolvimento. Os sintomas manifestam-se nos primeiros três anos de vida e incluem três grandes domínios de perturbação: social, comportamental e comunicacional. Verificam-se défices persistentes na comunicação e interações sociais, padrões restritivos e repetitivos de comportamentos, interesses ou atividades. É uma doença complexa e vitalícia._x000D_
A consulta de ortodontia apresenta dificuldades acrescidas. Os tratamentos ortodônticos são tecnicamente complexos e não são realizados numa única sessão. Implicam elevada cooperação e colaboração por parte do paciente e uma elevada responsabilidade na correta manutenção do aparelho na boca durante todo o período em decorre o tratamento, que normalmente é longo._x000D_
O número de casos diagnosticados com perturbação do espetro do autismo tem aumentado, por isso torna-se importante que os profissionais de saúde estejam familiarizados com esta doença. Existem técnicas simples de modulação de comportamentos, tais como “tell-show-do”, controlo de voz, reforço positivo e pedagogia visual, entre outras, que incentivam e aumentam a colaboração destes pacientes na consulta de medicina dentária. Quanto mais cedo forem aplicadas estas técnicas, melhor a probabilidade de realização dos tratamentos.
Descrição do Caso Clínico: No primeiro caso clínico o paciente, do sexo masculino,com 13 anos de idade e 9 meses e com Síndrome de Asperger, apresenta mordida aberta. Iniciou os tratamentos dentários convencionais aos 9 anos de idade. O plano de tratamento decidido foi a colocação aparelho fixo superior e inferior com extração de quatro dentes pré-molares e indicação para terapia da fala. No final do tratamento foram colocadas contenções fixas superior e inferior. O tratamento foi iniciado em Maio de 2010 e terminado em Maio de 2013, perfazendo um tempo total de tratamento de três anos._x000D_
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No segundo caso clínico o paciente, do sexo masculino, com 16 anos de idade, apresenta perturbação do espetro de autismo grave e desalinhamento dentário. Iniciou os tratamentos dentários convencionais aos 4 anos de idade. Foi colocado aparelho fixo superior e inferior aos 16 anos. Foram realizados dois aparelhos de contenção removíveis transparentes. O tempo total de tratamento foi de 14 meses para a arcada superior (colocado em Maio de 2019 e retirado em Junho de 2020), e de 11 meses para a arcada inferior (colocado em Dezembro de 2019 e retirado a Novembro de 2020). O tratamento foi realizado durante a pandemia de COVID-19, o que trouxe dificuldades acrescidas.
Conclusões: A aplicação de técnicas de modulação de comportamento simples desde cedo permitiu, em ambos os casos ,a realização tanto de tratamentos dentários convencionais, como a colocação dos aparelhos ortodônticos fixos sem ter sido necessário recorrer à sedação e/ou anestesia geral. A intervenção precoce torna-se fundamental e crucial.

 

comunicação oral nº Ortodontia, 11/4/2021 ()14h50 no Auditório D

 

Tânia Lourenço (Autor apresentador), Faculdade de Medicina Dentária da Universidade de Lisboa

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Congresso da OMD 2021
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