Análise microestrutural espigões de fibra vidro em relação ao canal radicular – estudo in vitro
comunicação oral de Investigação pré-clínica em Materiais dentários não candidata a prémio de Valter Fernandes, Catarina Soares, Filipe S.Silva, Oscar Carvalho, Mutlu Özcan, Julio Souza
Introdução: A variabilidade da anatomia interna dos canais radiculares e do design dos meios de retenção intracanalar pré-fabricados proporciona uma distribuição imprevisível e irregular do espaço entre o espigão e a superfície da dentina radicular. Esse espaço é preenchido por diferentes volumes de resina aquando da cimentação de espigões de fibra de vidro. Camadas espessas de cimento resinoso propiciam a criação de defeitos, como macro- e micro-poros, cracks e fendas que são responsáveis por zonas acumulação de stress podendo induzir a ocorrência de fraturas radiculares.
Objetivos: O objetivo principal deste estudo foi a avaliação da microestrutura dos espigões de fibra de vidro e a sua relação espacial com as paredes dentinárias através da análise microscópica.
Materiais e Métodos: Trinta pré-molares humanos extraídos, com o ápex formado, foram guardados em 5% Chloramina durante 7 dias e em água destilada a 4ºC por mais 7 dias. As coroas anatómicas foram removidas e os dentes tratados endodonticamente. Os dentes foram divididos em grupos de acordo com os diferentes espigões: A) ParaPost Fiber LuxTM (Coltène, Whaledent Inc, USA); B) Rebilda GTTM (VOCO, Germany); C) Angelus ExactoTM (Angelus, Brazil). Após a cimentação as amostras foram embebidas em resina autopolimerizável (Technovit 400TM; Kulzer GmbH, Germany) e seccionados a 90º relativamente ao longo eixo do espigão. Inicialmente, as secções transversais obtidas foram inspecionadas por microscopia óptica (OM) (Leica DM 2500 MTM, Leica Microsystems, Germany) com ampliação variável de x10 a x500. Foi usado um software, Image J (National Institutes of Health, USA) para quantificar a percentagem de porosidade no cimento. De seguida, as superfícies foram pulverizadas com uma fina camada de AgPd para leitura com microscopia eletrónica (SEM) usando uma unidade SEM (JSM-6010 LV, JEOL, Japan) acoplada a uma unidade de espectrocopia dispersiva (EDS). A espessura e a microestrutura da camada de cimento foram analisadas com ampliações variáveis de x1000 a x2000 com feixes de eletrões secundários e retrodispersos usando FEGSEM (400 FEG; Fei Quanta, USA).
Resultados: A análise microscópica revelou uma variação clara da espessura de cimento resinoso em redor dos espigões endodônticos de fibra de vidro ao longo do canal. Foram também observadas alterações na espessura dentina remanescente ao longo canal, provocadas pela preparação do espaço protético para colocação de espigões. Foram também detetados com OM e SEM pequenos defeitos tipo poros, cracks e fendas na distribuição do cimento. As imagens de SEM revelaram mais detalhes sobre as disposições das fibras, número e defeitos na interface entre a resina e a dentina. A integridade do interface entre as fibras e a resina epoxy foi comprovada com alta ampliação e resolução através do SEM, não obstante deste interface ser muito variável ao longo do canal.
Conclusões: A espessura e volume da camada de cimento resinoso varia, com maior incidência na zona coronal devido a uma pior adaptação dos espigões pré-fabricados. Os diferentes sistemas de espigões testados tentam minimizar o problema da adaptação entre o espigão e o canal, apresentando resultados similares. A preparação do espaço protético pode promover um enfraquecimento da raiz, aumentando o risco de insucesso por fraturas radiculares.
comunicação oral nº Materiais dentários, 11/4/2021 ()11h50 no Auditório D
Valter Fernandes (Autor apresentador), Instituto Universitário de Ciências da Saúde – CESPU
Catarina Soares (Co-autor), Instituto Universitário de Ciências da Saúde – CESPU
Filipe S.Silva (Co-autor), Center for MicroElectroMechanical Systems (CMEMS-UMinho), University of Minho
Oscar Carvalho (Co-autor), Center for MicroElectroMechanical Systems (CMEMS-UMinho), University of Minho
Mutlu Özcan (Co-autor), Division of Dental Biomaterials, Clinic of Reconstructive Dentistry, Center of Dental Medicine, University of Zurich, Zurich
Julio Souza (Co-autor), Center for MicroElectroMechanical Systems (CMEMS-UMinho), University of Minho